Tereza Virginia

Biografia

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Nasci no Rio de janeiro em um dois de fevereiro da década de 60, embora tenha sido gerada em Pernambuco. Até os seis anos, morei no Centro do Rio de Janeiro e, depois disto, em Santa Teresa, de onde saí definitivamente somente quando vim morar em outro lugar de nome igualmente religioso: Santa Catarina. O curioso nesta escolha é que ela foi impulsionada por uma analogia: eu havia estudado entre a quarta e a oitava série em uma escola pública chamada Escola Santa Catarina! Quando resolvi vir para a Ilha, só o nome me atraía. Vim como recém-doutor, por dois anos, em 1996, mas, em seis meses, passei a ser, por concurso, Professora de Literatura Brasileira da Universidade Federal de Santa Catarina. Mas, o que terá ocorrido entre meu nascimento e a chegada a Florianópolis? Afinal, de Pernambuco a Santa Catarina o percurso é longo …

Bem, desde criança, como filha única, literatura e música sempre foram minhas companheiras e me tornaram estranha à solidão. Cantar e dar aula, dar aula e cantar. Essas duas atividades sempre foram diárias. A princípio, para os bonecos. Pouco a pouco se tornaram profissão.

No palco, estreei antes de começar a ler, como atriz-protagonista. Minha mãe era quem lia o texto e eu repetia. Isto foi no Colégio de freiras.

Assim que comecei a ler, descobri o poema como forma predileta e, daí para a canção, tudo formava um contínuo. Escrever poesia e escrever também sempre foram atividades paralelas. Nunca desejei lançar um livro de poemas, pois meu prazer sempre foi o de ler, vocalizar meus poemas. Cantar o que escrevo é, assim, a máxima realização. Embora seja bom demais poder dar voz a textos que não escrevi em melodias que não fiz, mas que me tocam como se de mim falassem ou das personagens possíveis que me habitam.

A compreensão de mim como compositora começou em 1977 quando um colega de colégio musicou um poema meu e ganhamos o festival da escola. Era uma escola alemã, o Colégio Cruzeiro, no centro do Rio. Depois disto, entendi a delícia que era aquilo. Cada nota definindo a altura de cada sílaba das palavras.

Na década de 80, cursei Letras na UERJ, participei de grupos coletivos de teatro, de oficinas de Teatro do Oprimido e de corais, estudei canto e me apaixonei pela vanguarda paulista. Arrigo, Itamar Assumpção, Grupo Rumo eram presenças constantes no Circo Voador, onde eu estava todos os fins de semana. Assim que me formei, fui logo atuar como Professora do Estado, em Duque de Caxias e percebi que tinha acertado na carreira escolhida. Nunca foi difícil dar aulas. E o retorno dessa percepção era evidente nos olhos dos alunos, então pequenos. Difícil era olhar o contracheque. Acabei tendo que compensar com muitas aulas particulares para pagar meus estudos de canto e alemão. Daí a demanda por mais estudos.

Ainda na década de 80, casei e, dois anos depois, nasceu meu filho, o Roberto, em 1988. Já havia iniciado, um ano antes, o mestrado em Literatura, na PUC-Rio, onde emendei o doutorado. Claro que a carreira acadêmica ocasionou um intervalo na carreira artística, já que decidi me dedicar com seriedade e paixão à tarefa de me aprofundar nos estudos teóricos. Tanto que, em 1993, já separada, fui com meu filho para Toronto, para estudar com Linda Hutcheon, teórica do pós-moderno, de quem já tinha lido e relido quase tudo. Ganhei a experiência de pensar cada nuance de minha tese a 25 abaixo de zero e passei a ter um filho bilíngüe que, a estas alturas, tinha quatro aninhos. Voltei ao Brasil em 1994 e defendi, na PUC, sob orientação de Heidrun Olinto, um ano depois, a tese A Ausência Lilás da Semana de Arte Moderna: o olhar pós-moderno, publicada mais tarde pela Editora Letras Contemporâneas, de Florianópolis.

Em 1996, passei a atuar na UFSC e, aos pouquinhos, minhas tarefas como professora de Literatura Brasileira, tendo que dar conta de entender o contexto literário brasileiro desde o período colonial, me convenceram da importância de me dedicar cada vez mais à cultura popular, o que me levou à pesquisa em torno das relações entre música e literatura.

Em 1999, morei por sete meses nos Estados Unidos, onde fui realizar pesquisa de pós-doutorado, sob supervisão de Hans Ulrich Gumbrecht e Jeffrey Schnapp, na Universidade de Stanford, no Departamento de Literatura Comparada. A ironia dessa estada é que, além de pesquisar sobre o tecno-tribalismo, algo que eu estava lendo nos textos tardios de Oswald de Andrade, comecei a jogar capoeira com um mestre do Rio, que dava aulas lá: Mestre Beiçola. Acabei escrevendo também sobre capoeira.

De volta a Florianópolis, em 2000, aos poucos fui conhecendo o cenário musical de Florianópolis. Criei um projeto específico de pesquisa em torno da música popular de Santa Catarina, sob forma de dicionário. Em 2002, criei o Núcleo de Estudos Poético-Musicais, o Nepom, que acolhia pesquisas em torno das relações entre literatura e música e que coordenei até 2010.

Em 2003, passei a integrar o Polyphonia Khorus com o qual realizei várias turnês pelo Estado e tive o prazer de integrar uma montagem da Ópera Carmen de Bizet. Mais uma vez, música e literatura se encontravam. Em 2004, entretanto, deixei o coral e comecei a pensar projetos como cantora, voltados para a pesquisa das produções femininas na música popular, como um show intitulado Elas na pauta que cheguei a apresentar no Seminário Internacional Fazendo Gênero.

Em 2006, entrei no estúdio e gravei a primeira canção para o Cd Tereza Virginia: Menina Fricote. Dentro do processo mesmo de criação para o Cd, fui encontrando parceiros e me assumindo também como compositora de melodias.

Em 2009, comecei a circular com o Cd Tereza Virginia, lançado em 2008 em um show chamado A Outra, título da um fado composto em parceria com Beatriz Sanson. Neste mesmo ano, fui uma das vencedoras do Edital Elizabete Anderle da Fundação Catarinense de Cultura, que me permitiu lançar o segundo Cd, em 2001, Aluada.

Três anos depois, criei o LabFLOR, Laboratório Floria em Composição transdisciplinar: arte, cultura e política, pois cada vez mais meu pensamento se encaminha a encontrar pessoas dispostas a pesquisar alternativas para o encastelamento da academia em si mesma. A relação com o saber indisciplinado me inquieta.

2013 é um ano em que vou me dedicar à pesquisa, aos estudos, mas inclui tanto a escrita quanto a música. Como sempre daqui por diante. Já faz um tempo que minha pesquisa é sobre voz e acabei, com isso, chegando a uma pessoa importante, também acadêmica-artista, Norie Neumark, com quem vou trabalhar em La Trobe University em Melbourne, este ano. O terceiro Cd devi vir em 2014 … Uma música já foi gravada: História difícil, que fala muito sobre essa minha vida de equilibrista entre a sala de aula e o palco ….a protagonista não sou eu: é a palavra!

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